Cuiaba (MT), 27 de novembro de 2020 - 22:20

Cidades

NÃO HÁ CONCLUSÃO DO CASO 18/11/2020 08:54 G1

Quatro anos após aluno dos bombeiros morrer em treinamento ninguém é julgado pelo crime em Cuiabá

Quatro anos após a morte do aluno dos bombeiros, Rodrigo Claro, de 21 anos, em Cuiabá, ainda não há conclusão do caso. Ninguém foi preso pela morte do jovem, que participava de uma aula prática, quando passou mal. A Justiça investiga se houve abusos por parte dos instrutores do curso de formação. Rodrigo morreu no dia 15 de novembro de 2016.

O estudante do curso de formação de soldados do Corpo de Bombeiros foi internado após passar mal em uma aula na Lagoa Trevisan, em Cuiabá. Segundo a família, Rodrigo estava em coma na Unidade de Tratamento Intensiva (UTI) de um hospital particular da capital, desde o dia 10. O jovem fazia aula de instrução de salvamento quando passou mal.

Izadora Ledur era instrutora de curso dos bombeiros em Cuiabá — Foto: Câmara Municipal de Barra do Garças/Reprodução

Izadora Ledur era instrutora de curso dos bombeiros em Cuiabá — Foto: Câmara Municipal de Barra do Garças/Reprodução

Segundo denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) a tenente Izadora Ledur de Souza Dechamps, que era a instrutora do curso, usou de meios abusivos de natureza física e de natureza mental.

G1 não conseguiu contato com a defesa da tenente.

Rodrigo morreu depois de passar mal durante o treinamento aquático dos bombeiros no dia 16 de novembro de 2016, a atividade era coordenada por Ledur.

Ainda conforme a denúncia do MPE, Ledur utilizou meios impróprios durante o treinamento com o aluno como "caldos" e afogamentos. Além disso, ela teria ameaçado desligar Rodrigo do curso.

A tenente responde criminalmente pela morte do aluno e ficou monitorada por tornozeleira eletrônica por três meses. No entanto, em outubro do ano passado, conseguiu na justiça o direito de retirar o equipamento.

 

O caso

Rodrigo Claro morreu em novembro de 2016 — Foto: Antônio Claro/Arquivo pessoal

Rodrigo Claro morreu em novembro de 2016 — Foto: Antônio Claro/Arquivo pessoal

Rodrigo queixou-se de dor de cabeça durante a realização das aulas. O aluno realizava uma travessia a nado na lagoa e quando chegou à margem informou o instrutor que não conseguiria terminar a aula.

Em seguida, segundo os bombeiros, ele foi liberado e retornou ao batalhão e se apresentou à coordenação do curso para relatar o problema de saúde. O jovem foi encaminhado a uma unidade de saúde e sofreu convulsões.

Em mensagem enviada para a mãe, Rodrigo disse que estava com medo — Foto: Reprodução/TVCA

Em mensagem enviada para a mãe, Rodrigo disse que estava com medo — Foto: Reprodução/TVCA

Antes do treinamento, o jovem conversou com a mãe dele por um aplicativo de conversas e disse que estava com medo do que poderia acontecer.

“Ten. tá pegando no meu pé. E hoje ela vai ta lá. Por isso fico com medo”, diz trecho da conversa.

Horas depois, Rodrigo voltou a falar com a mãe e mandou a última mensagem antes de ser internado em coma. “Não consegui. Estou mal. Vou para a coordenação”, diz mensagem.


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