Cuiaba (MT), 16 de maio de 2022

Variedades

CALANGO DO CERRADO 12/05/2022 15:33 Redação

Ahgave lança primeiro álbum: faixas unem ativismo e ancestralidade

O álbum Calango do Cerrado, primeiro da carreira de Ahgave – foi lançado nesta quarta-feira (11.05), em todas as plataformas digitais. Não à toa, na data que também é celebrado o Dia Nacional do Reggae, uma das referências sonoras do artista. O trabalho demorou cerca de um ano para ser produzido e carrega ideias que atravessam camadas sociais e trazem para superfície diferentes tipos de questões coletivas.

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O mato-grossense já é conhecido de longa data na cena do rap, reggae e outras vertentes da cultura marginal no estado. Entre as oito faixas, são seis músicas e dois diálogos interlúdios e a sequência de introdução Calango do Cerrado, Pra Djá, Fiscal da Fé, Lápis Cor De Pele, Elite do Atraso, Previdência ou Morte, Dia De Corre e Cerrado Baile.O clipe de “Pra Djá” estreou em fevereiro deste ano e aqueceu o público com as cenas. O enredo chamou atenção dos internautas e mostrou, logo de cara, originalidade e sintonia com os temas políticos da atualidade.

No álbum, simplificou ideias, tirou gírias, rimas rápidas, palavras em outras línguas e tudo o que pudesse ser um ruído na comunicação com o público. “A intenção era que minhas músicas pudessem dialogar de um adolescente a uma senhora idosa. Para isso, tive que revisitar as composições, alterar letras, como as das instrumentais. Isso refletiu num processo de autoconhecimento, me fez revisar pensamentos e ideias na vontade de me lapidar. Tudo isso para entregar o meu melhor”.

Calango e a correria de sol a sol

Por conta da pandemia, o MC teve dificuldade de encontrar profissionais que pudessem terceirizar serviços. Foi quando assumiu mais de uma tarefa. Entre as funções assumidas por ele, a de produtor musical, produtor executivo, diretor de arte e músico compositor. “Foi à base de suor, sangue e lágrimas pra dar conta das oito faixas, oito videoartes e um videoclipe”, diz.

O nome do álbum “Calango do Cerrado” é uma homenagem aos homens e mulheres que são reconhecidos por terem nascido ou morarem em regiões que possuem esse bioma, além de ser um “apelido de família”.

É o avô do artista quem protagoniza a capa do álbum. O ancião foi o escolhido para representar seus antepassados e outras pessoas que levam, ou já levaram, a mesma lida. Como um espelho, Ahgave se vê no ancestral, que, antes do músico, também era conhecido como calango.

A sonoridade do álbum transita entre o rap, reggae e o dancehall, um estilo musical popular jamaicano.  A direção musical é de Ahgave que assina como Mato Groove e conta com co-produções nos instrumentais de Artur Lion, Lucas Mellow, Augusto Krebs, Laza e Dubalizer.Já nas participações, divide versos com Nega Lu, Kyanaju, Kessidy Sharamandaya, Luiz Góes e Supa Smile do Retumbo Sistema de Som.

O Clipe “Pra Djá”

Em um curioso enredo, uma família aparece na primeira cena, sendo o pai (Sandro Lucose), mãe (Thaísa Soares) e filha (Letícia Goncal), começam uma manhã comum, mesmo que o pai tenha uma arma em punho – e a manuseia como um objeto corriqueiro. Enquanto o noticiário mostra o crescimento de morte, fome e desemprego do país, uma funcionária, Xônda (Day Irê), que se trata de uma professora desempregada que recorreu ao freela de diarista, se aproxima.

Xônda, em outra cena, fará parte de uma revolução junto a uma hacker ativista, Xara (Sharamandaya Kess), o Xinna (Ederson Xaxá) um motoboy correria e um personagem mascarado que faz o desfecho da trama. Cada personagem desliza por uma superfície misteriosa da linha de raciocínio. Em especial, os que pertencem a “segunda classe”, todos aliados de uma reviravolta emocionante. Para quem quiser conferir – basta acessar o canal através do link (https://www.youtube.com/watch?v=n69q6hNRAwc).

“Me sinto realizado. O clipe de Pra Djá e o álbum Calango do Cerrado são trabalhos onde o discurso político pulsa e fica bem explícito. Posteriormente, quero continuar incitando o espírito inquieto e subversivo nas pessoas, mas dessa vez com música dançante e refrões contagiantes”, descreve.

Em pouco tempo no ar o clipe já conta com mais de 23.000 visualizações no Youtube. Ele é uma produção da Firme Conteúdo e, entre os personagens que mais cativaram o público estão a hacker e o jovem com máscara de gás lacrimogêneo. Para Ahgave, a hacker protagoniza o papel clássico da heroína que enfrenta os vilões e enquanto encena tem na sua parede um mapa que mostra fotografias de referências como Elza Soares, Maria Bonita, Aqualtune, Lélia Gonzalez, Ruth de Souza, Tereza de Benguela, Maria Carolina de Jesus, e também personalidades atuais como a cantora pop Ludmilla, Tassia Reis, Preta Rara e as mato-grossenses Luciene de Carvalho e Lupita Amorim.

Já o mascarado cativa as pessoas por representar a força da juventude. “A vontade de se rebelar que elas sentem diante da atual conjuntura e suas injustiças. Talvez o fato de ele não ter rosto, facilita essa projeção de espelhamento”, pontua.

O artista ainda comenta que algumas pessoas podem achar que a ofensiva feita à representação Estátua da Liberdade é sobre uma marca específica, mas não é. “A intenção foi reforçar o que é dito na própria música: América Latina fogo no imperialismo”.

Para os próximos trabalhos com o álbum ele pretende gravar mais dois clipes e as músicas escolhidas são “Fiscal da Fé”, que fala sobre intolerância religiosa e “Cerrado Baile”, sobre a dança enquanto manifestação política.

A Lei Aldir Blanc contempla este projeto através da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer, do Governo de Mato Grosso, da Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.


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