Como mãe de um jovem autista e vereadora comprometida com a causa da inclusão, tenho me dedicado a compreender e a defender as necessidades da comunidade atípica. Ao abordar o Transtorno do Espectro Autista (TEA), é impossível ignorar a quantidade de desinformação ainda presente — mesmo em pleno século XXI — sobre essa condição. O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento que, infelizmente, ainda é cercada de estigmas, preconceitos e equívocos. Por isso, o primeiro passo para a inclusão verdadeira é desmistificar o autismo.
É fundamental compreender que o autismo não é uma doença, mas sim uma forma de neurodivergência. Muitas vezes, ao se depararem com o termo “autismo”, as pessoas associam imediatamente a comportamentos estereotipados, como o isolamento, a ausência de fala, o olhar evitativo ou crises constantes. No entanto, o espectro autista é amplo e diverso, e não pode ser reduzido a uma única representação.
Cada pessoa com autismo possui características, desafios e potencialidades únicas. Existem autistas que falam, outros que se comunicam por meios alternativos; há aqueles com vida social ativa e os que necessitam de suporte constante. Alguns se destacam em áreas como matemática, música ou artes, enquanto outros convivem com deficiências múltiplas e comorbidades. O que todos compartilham é uma forma singular de perceber e interagir com o mundo — uma diferença que deve ser respeitada, e não corrigida.
Precisamos abandonar os rótulos e a visão equivocada de que o autismo é algo que precisa ser “curado”. O que se busca com o diagnóstico precoce e as intervenções adequadas não é “normalizar” a pessoa autista, mas sim oferecer ferramentas que favoreçam seu desenvolvimento, autonomia e bem-estar, respeitando suas individualidades.
É importante lembrar que o maior desafio enfrentado por pessoas autistas não está no TEA em si, mas na falta de preparo da sociedade para lidar com suas necessidades. A exclusão social, a desinformação e a ausência de políticas públicas eficazes ainda são entraves que precisam ser superados com urgência. Precisamos construir uma sociedade mais sensível, empática e acessível, que valorize as diferenças em vez de tentar padronizá-las.
Além disso, é essencial ouvir as pessoas autistas e suas famílias. São elas que vivenciam diariamente os desafios e conquistas, e muitas vezes se tornam verdadeiras especialistas na causa. Como costuma dizer a comunidade: “Nada sobre nós, sem nós.”
O autismo não é uma sentença, nem um fardo: é uma jornada que exige respeito, acolhimento e oportunidades. Desde o nascimento, com acesso ao diagnóstico precoce e terapias intensivas, contínuas e personalizadas, passando pela garantia de direitos, educação inclusiva e formação integral, até o acesso ao mercado de trabalho e, quando necessário, à residência assistida na vida adulta.
Está mais do que na hora de deixarmos os mitos para trás e, com coragem e empatia, abraçarmos a realidade da inclusão como um dever de todos. Precisamos ser mais do que espectadores: precisamos ser ativistas contra o preconceito e embaixadores de uma sociedade verdadeiramente inclusiva.
Maysa Leão é vereadora, vice-presidente da Câmara Municipal de Cuiabá