Abílio Brunini é prefeito de Cuiabá, eleito para o cargo em 2024 após uma trajetória política marcada por forte oposição às gestões anteriores e por um discurso alinhado com pautas conservadoras. Antes de assumir a Prefeitura, foi vereador e se destacou pelo tom combativo em suas declarações e posicionamentos. Defensor da austeridade fiscal e de um governo voltado para eficiência administrativa, Abílio tem como bandeiras a redução de gastos públicos, a transparência na gestão e o combate ao que considera privilégios da classe política.
Em uma entrevista exclusiva ao Centro Oeste Popular, o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, falou sobre temas polêmicos que envolvem sua gestão e o cenário político estadual e nacional. Entre os assuntos abordados, ele explicou o projeto de remanejamento de recursos da LOA, defendeu a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e comentou a possível candidatura do governador Mauro Mendes ao Senado em 2026. O prefeito também rebateu críticas feitas por parlamentares e reforçou seu posicionamento contra a esquerda em Mato Grosso. Confira a entrevista na íntegra.
Centro Oeste Popular — Prefeito, em relação ao projeto que trata do remanejamento de recursos do orçamento de R$ 300 milhões para R$ 1 bilhão, como o senhor explica a chegada desse projeto à Câmara?
Abílio — São reformas para ajustar a LOA à reforma administrativa. Isso não altera valores nem acresce nada, apenas refaz a distribuição necessária após a divisão das secretarias. Algumas secretarias mudaram de nome, por isso precisam de ajustes, mas isso não tem relação com alteração de valores. É apenas uma reordenação conforme a lei que modificou a LOA. A atualização é um procedimento necessário dentro da nova estrutura administrativa.
Centro Oeste Popular — O senhor esteve no ato pela anistia. Há divergências nos números: a polícia estima 400 mil participantes, enquanto a USP aponta 18 mil. Na sua opinião, qual dessas estimativas está mais próxima da realidade? Além disso, o senhor acredita que a menor adesão, em relação à expectativa de 1 milhão de pessoas, indica um enfraquecimento do movimento da direita?
Abílio — Olha, teve mais gente do que na manifestação do Lula no seu melhor momento. Mas, ainda assim, segundo alguns, foram apenas 50 pessoas presentes. Acredite na Globo, acredite no número que a Globo está falando. Teve mais gente do que em jogos do campeonato, como Palmeiras x Corinthians e Flamengo x Fluminense. Foi um evento maior do que qualquer outro realizado no dia no Brasil inteiro. Mas, independentemente da quantidade de pessoas, o mais importante é perceber que o país está mobilizado. Teremos o maior número de deputados na Câmara Federal para aprovar o projeto, e vamos sim aprovar a anistia e retomar as coisas.
Centro Oeste Popular — A presença do governador Mauro Mendes no Rio de Janeiro pode ter sido, além de um apoio à anistia, um aceno ao bolsonarismo no Estado? Considerando a possibilidade de ele disputar o Senado em 2026, ele poderia ser uma segunda alternativa para o bolsonarismo na região?
Abílio — Entendo que precisamos unir forças para garantir que o Senado tenha bons representantes e evitar que tenhamos novamente um Fávaro na posição em que está, assim como evitar pessoas inertes no Senado e na Câmara Federal que não colaboram com o país. Vamos trabalhar em conjunto com o governador Mauro Mendes, o governo do Estado, nosso partido e nosso grupo para estarmos unidos em 2026.
Centro Oeste Popular — Essa união de forças seria para evitar que a esquerda assuma o governo, usando o mesmo argumento do Senado?
Abílio — Mato Grosso e esquerda não se misturam, Mato Grosso e esquerda não se criam. Quantos vereadores do PT existem aqui? Nenhum. Quantos prefeitos o PT elegeu em Mato Grosso? Nenhum.
Centro Oeste Popular — O vereador Advair Cabral usou a tribuna para fazer uma reclamação. Ele considera que foi inadequado da sua parte retratar um vereador da casa como “pau-mandado”. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Abílio — São as viúvas do Nenéu. Ainda temos, em alguns lugares da Câmara, as viúvas do Emanuel. Pessoas que estavam acostumadas com o poder na gestão passada e que, nesta gestão, não podem mais participar. Infelizmente, resta chorar. Mas, se for chorar, manda áudio.
Centro Oeste Popular — O vereador Dilemario tem sido criticado por sua atuação na Câmara. O senhor pensa em mudar o líder do governo? Como avalia o trabalho dele?
Abílio – O Dilemario está fazendo um excelente trabalho, parabéns a ele. Todos os projetos que enviamos para a Câmara contaram com sua ajuda, e ele tem desempenhado um ótimo papel. Não há nenhuma cogitação em mudar o líder. Penso que ele está muito bem, apesar de ser bastante atacado, o que é natural para um líder do governo. Para aqueles que não gostarem, faz parte do processo.